Ave Maria pelo esporte

O vídeo acima é uma oração (Ave Maria) rezada em árabe pelo símpatico sr. Elias, sócio do Clube de Regatas Tietê (CRT), em São Paulo. A capelinha atrás dele foi construída dentro da instituição por suas próprias mãos. Com mais de 80 anos, este senhor revelou para mim e para um grupo de amigos que o centenário espaço esportivo na capital paulista é sua vida. Pela instituição, sr. Elias declarou-se capaz de trancar-se nesta capelinha e de lá só sair morto. Afirmou isso em protesto contra as ameaças que anunciam fechar as portas do clube.

Em outras épocas, ele já foi capaz de adiar essa mesma inevitável sentença com uma greve de fome. A ação lhe rendeu um artigo de uma página na Folha de São Paulo e uma promessa da Secretária da Habitação de SP de que o clube seria mantido. Porém, esse fantasma existe e segue assombrando o local. É claro, boa parte da culpa pela situação degradável que hoje o CRT se encontra foi graças a uma série de gestões internas irresponsáveis que ao longo dos anos acumularam dívidas muito superiores às reais condições financeiras do empreendimento.

Segundo declarações de sócios, hoje o local é explorado pela Faculdade Zumbi dos Palmares (FZP), que não paga aluguel há anos e ainda pleteia todo o terreno com a prefeitura. Chegou sorrateiramente e agora declara ter direito sobre o espaço. Acho que aqui vale uma boa investigação, pois muitos amantes do CRT me apontaram negociatas políticas entre governantes da cidade e o reitor da FZP.

Quando tive a oportunidade de conhecer o sr. Elias, conheci também todas as dependências do clube. Resumo: o espaço é um retrato do esporte jogado no lixo, literalmente. Alguns locais, como o que era um stand de tiro, por exemplo, virou um lixão. Boa parte de uma área de lazer foi tomada pela ponte que hoje atravessa a Marginal do Tietê no final da Avenida do Estado. O salão de festas só se sustenta pela farra dos bolivianos do Bom Retiro que pagam a locação a vista (cerca de R$ 15 mil) e tomam cerveja quente enquantam observam suas muheres urinarem no chão (segundo declaração de nosso guia na visita, confesso nunca ter tido a oportunidade de acompanhar uma farra boliviana).

A sala de trofeus do clube reúne muitas conquistas de nomes como Abílio Couto, Maria Esther Bueno e Maria Lenk. Prêmios e fotos que hoje estão dentro de uma sala mofada. Sob perigo de ser despejado pela Prefeitura de São Paulo (dona do terreno), a história que hoje o CRT carrega corre sério perigo de desaparecer se nada for feito. As instalações esportivas que ali se encontram poderiam ser muito bem aproveitadas na formação de atletas e como sede de campeonatos. Só precisam de uma peque reforma, vale frisar. Torço para que um dia não leia no jornal que esse pedaço importante do esporte nacional fechou suas portas para sempre.

Sobre João Carlos Godoy

Jornalista, surfista, amante, fanático por surf e pelo mar. Formado no curso de MBA de Gestão no Esporte da Universidade Anhembi Morumbi e assessor de imprensa na área de negócios e esporte. E-mail para contato: jc.surfistapaulistano@gmail.com
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