O esporte jogado no ventilador

Antes de mais nada faço questão de frisar que o objetivo desse post não é defender o ministro do esporte Orlando Silva. Não seria louco de defender um político no Brasil sem ter certeza de sua idoneidade. E, essa idoneidade o ministro ainda terá que provar. Aliás, confesso que é difícil dar credibilidade para alguém que compra uma tapioca de R$ 8,00 com cartão corporativo. Mas, como qualquer brasileiro, Orlando Silva tem direito de se defender.

O objetivo desse post é protestar contra a forma como se faz jornalismo nesse país. Esperei passar uma semana para comentar esse tema. Queria ler antes neste final de semana o desfecho da edição passada da revista Veja, que está “denunciando” um possível esquema de corrupção no programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte. Tanto a edição passada, como dessa semana, não trazem provas. Só jogam a merda no ventilador, ou melhor, o esporte no ventilador.

Não estou aqui dizendo que o ministro e seus assessores roubaram ou não roubaram, mas defendo um jornalismo responsável, investigativo de verdade. Quem não leu o livro “Notícias do Planalto” deveria fazê-lo. Eis uma obra que mostra como a apuração era feita com A (maiúsculo) quando surgia uma denúncia de corrupção.

O que a revista Veja está fazendo é publicar, em doses homeopáticas, uma série de suspeitas. Na minha opinião, sem provas consistentes. Por enquanto existe a denúncia de uma fonte que não é nenhum santo, existe uma tal gravação que ninguém mostra (nem no site da revista está disponível), existem dois ofícios no site da revista que na minha avaliação apontam indícios, mas que precisam ser investigados, etc. Com as plataformas digitais que hoje temos disponíveis, é difícil aceitar que nada disso está sendo usado pela revista.

Para temperar ainda mais esta salada jornalística, a revista Istoé também publicou sua versão, apontando como comandante do possível “Esporteduto” (nome dado pela Veja, é mole?) o atual governador do DF, Agnelo Queiroz. Dessa vez com outra testemunha que, inclusive desqualifica a fonte da Veja (confira aqui a reportagem da Istoé), também sem provas. Não me conformo ver possíveis fatos serem jogados na mídia só para vender revista, só para defender interesses políticos de um veículo ou outro. Onde está o compromisso com a verdade do jornalismo? Isso eu aprendi no primeiro semestre da faculdade. O nome da disciplina era “Introdução ao Jornalismo”.

O esporte brasileiro não precisa neste momento sofrer um abálo em sua imagem para defender o intesse comercial de poucos. Muito menos o esporte precisa ser isca para vender revista. Muita gente vive honestamente do esporte. O que precisamos é dar visibilidade positiva para essa plataforma, administrá-la bem, investir bem, apurar bem, também mostrar o que está sendo feito de positivo. Acreditem, todos tem muita a ganhar. Inclusive as revistas semanais.

É claro, o que está nebuloso tem que ser mostrado, tem que ser investigado e publicado para o conhecimento de todos. Como um estudante na área acredito que o momento de limpar e profissionalizar o esporte no país é agora, até 2016. Porém, essa limpeza, profissionalização, cobertura de imprensa, tem que ser feita de forma responsável, seja pelas autoridades, seja pelos veículos de comunicação. E você amigo leitor, qual sua opinião nesta história?

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Sobre João Carlos Godoy

Jornalista, surfista, amante, fanático por surf e pelo mar. Formado no curso de MBA de Gestão no Esporte da Universidade Anhembi Morumbi e assessor de imprensa na área de negócios e esporte. E-mail para contato: jc.surfistapaulistano@gmail.com
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Uma resposta para O esporte jogado no ventilador

  1. A imprensa resignou-se, há algum tempo, em funcionar como a ferramenta popular contemporânea para juntar multidões ao redor de uma fogueira pública, com o objetivo de queimar a bruxa que atormenta a meia dúzia responsável pelo pão-e-circo da vez. “Las hay”. E, dito na Veja, é o que basta. Fogo!

    Neste caso específico do ministro, só não sei se atiro a pedra em quem está na fogueira ou em quem está com a tocha.

    Está cada vez mais difícil decidir…

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