As bifurcações do esporte

Neymar

Há anos, profissionais e formadores de opinião do mercado de esporte lutam e torcem para ver a poderosa plataforma esportiva crescer como uma máquina capaz de gerar negócios,  movimentar bilhões, formar atletas, realizar sonhos. Uma das maiores bandeiras carregadas por quem trabalha na área é a profissionalização das entidades esportivas: clubes de futebol, confederações, federações, etc. Com a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 apontando no horizonte nacional as tendências de profissionalização são reais e podem ser vistas em diversos campos e quadras. Os dois eventos são apenas pontas de um iceberg muito maior, vale frisar.

A Confederação Brasileira de Basquete é um exemplo dentro das quadras. Desde o momento em que adotou uma política de gestão profissional, com projetos estratégicos nas áreas técnica, financeira, administrativa e de marketing, novos patrocinadores como Bradesco e Nike chegaram. Foi possível criar uma diretoria remunerada com nomes como Hortência Marcari, com metas a serem cumpridas. Não existem abnegados, existem funcionários contratados. A vinda do técnico argentino campeão olímpico Ruben Magnano para comandar a seleção masculina, somada a vaga conquistada para os Jogos de Londres 2012, que não vinha há 16 anos, são resultados positivos dentro e fora de quadra.

Hortência Marcari

Na elite, agremiações quase centenárias, a exemplo do Santos Futebol Clube, comemoram os efeitos da administração profissional e dos benefícios de encarar o esporte como negócio.

Apoiada por um grupo de executivos santistas – batizado TEISA (Terceira Estrela Investimentos) -, composto por nomes como Fábio Barbosa (Grupo Abril), Walter Schalka (Votorantim), José Berenguer (Santander), entre outros, o Santos vem conquistando resultados expressivos dentro e fora dos gramados. O fico da estrela Neymar não foi ofuscado pela derrota para o Barcelona no Campeonato Mundial Interclubes da FIFA. Um ótimo retrato de como o negócio do esporte pode brilhar tanto quanto os resultados de performance. Isso sem dizer que, com o exemplo do Santos, os clubes começam a enxergar que a venda de jogadores não é a única receita. Pode ser a mais rápida. Mas, quem disse que os negócios do esporte são investimentos de curto prazo? São investimentos, com retornos espetaculares, mas de médio e longo prazo.

Outros exemplos do passado, infelizmente esquecidos no tempo, reforçam essa tese. O Grupo de Executivos Sãopaulinos, do São Paulo Futebol Clube, e a renomada era Palmeiras Parmalat também são cases de sucesso na história do marketing esportivo nacional. A maioria deles sufocados por um ambiente político nocivo dentro das próprias agremiações, que hoje perderam o brilho.

Na contramão do mercado, enquanto algumas entidades remam a favor da maré em busca de profissionalização e rentabilidade, outras ainda insistem em depender do dinheiro fácil, que apesar de encher temporariamente os caixas, criam laços perigosos no longo prazo. Muitos estádios estão sendo construídos com incentivos fiscais, muitas confederações, com milhares de praticantes em suas modalidades, ou seja, clientes em potencial, se mantém apenas com verbas e patrocínios públicos, muitos clubes de futebol são verdadeiras lojas de jogadores ou vivem de uma administração dependente de favores e visibilidade política.

Gilberto Kassab

O jornal O Estado de São Paulo publicou nesta terça-feira, dia 20, que o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab planeja distribuir em 2012 apoio financeiro para os clubes São Paulo, Palmeiras e Portuguesa. Apoio do governo para o esporte é bom, deve existir, sem dúvida, desde que seja estratégico, sem interesses eleitorais. O caso do Banco do Brasil no vôlei, da Eletrobrás no basquete ou da Caixa Econômica Federal no atletismo, são casos positivos de como o patrocínio estatal, ou seja apoio do governo, pode beneficiar e potencializar uma marca perante uma sociedade. A questão é: quando falamos de apoio público é preciso tomar cuidado para essa “ajuda” não se transformar em laços políticos que serão cobrados mais tarde. Porque o prefeito Kassab não revitaliza a imagem da saúde pública, da educação através do patrocínio esportivo?

As novas arenas paulistas que se beneficiarão direta ou indiretamente da Copa de 2014 são fontes inesgotáveis de renda através de contratos de naming rigths, ativação de patrocínio, camarotes, venda de produtos, grandes eventos… O dinheiro público sempre será bem-vindo em qualquer esfera da economia. No caso do esporte, essa ferramenta só não pode ser usada como moeda de troca eleitoral, como opção ferramenta de marketing político. Eis um caminho que nunca trouxe retorno coletivo. Trata-se de um benefício para poucos, dos dois lados do balcão. Infelizmente, no esporte nem tudo são flores. O segrego é qual caminho seguir.

Anúncios

Sobre João Carlos Godoy

Jornalista, surfista, amante, fanático por surf e pelo mar. Formado no curso de MBA de Gestão no Esporte da Universidade Anhembi Morumbi e assessor de imprensa na área de negócios e esporte. E-mail para contato: jc.surfistapaulistano@gmail.com
Esse post foi publicado em Aloha, Boca no trombone, Gestão no esporte, Marketing esportivo, Negócios do esporte. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s