Filantropia alviverde

Quem está acima dos 50 anos de idade lembra-se da campanha “Ouro para o bem do Brasil”, quando em maio de 1964, em plena ditatura militar, a população se mobilizou para aumentar as reservas do país. Muitos adultos hoje, crianças na época, acompanharam suas mamães e titias que foram doar seus anéis para salvar o Brasil. Milhares de pessoas fizeram o mesmo. De acordo com uma reportagem publicada na extinda revista Cruzeiro, “mais de 400 quilos de ouro e cêrca de meio bilhão de cruzeiros foram doados ao Brasil pelo povo paulista e autoridades civis e militares, dentro da campanha, promovida pelos Diários Associados, “Ouro para o bem do Brasil”, como resultados das primeiras duas semanas de vigília cívica que teve início às 18 horas do último dia 13″… “Mais de 100 mil pessoas fizeram doações, que foram desde as mais modestas, até cheques de 10 milhões, dados por firmas, carros fornecidos pela indústria automobilística e inúmeras outras doações de grande monta”.

Quarenta e oito anos depois, salva as devidas proporções, a Sociedade Esportiva Palmeiras lança a campanha “VAMOS TRAZER O WESLEY PARA O VERDÃO“. A meta é ousada. Para arrecadar o total de R$ 21.377.300,00, valor que deverá ser utilizado para pagar a contratação de Wesley, o Verdão estipulou a data de 25 de março de 2012 para fechar a conta. Até a noite desta terça-feira, dia 28, o site registrava uma cifra de R$ 260.800,00. Detalhe: o clube pretende arrecadar esse valor através do sistema crowdfunding (ou financiamento coletivo). Tal iniciativa é bastante utilizada em campanhas de filantropia.

Minha opinião sobre o tema: eu acho que dirigentes de futebol deveriam ser estudados, pois algumas atitudes não são dignas de seres humanos pensantes. Isso quer dizer que eu não acredito que o valor não vai ser arrecadado? Errado. Pode até ser, apesar de difícil. O que me deixa indignado é o clube tratar o torcedor como fonte de renda filantrópica. Cadê as ações de marketing do Palmeiras? O torcedor não é doador, o palmeirense é cliente e deve ser tratado como tal. Assim como qualquer torcedor no Brasil deveria ser tratado como cliente. Só espero que, caso o valor não seja arrecadado na data, o clube não coloque a culpa no torcedor.

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Sobre João Carlos Godoy

Jornalista, surfista, amante, fanático por surf e pelo mar. Formado no curso de MBA de Gestão no Esporte da Universidade Anhembi Morumbi e assessor de imprensa na área de negócios e esporte. E-mail para contato: jc.surfistapaulistano@gmail.com
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2 respostas para Filantropia alviverde

  1. Thiago disse:

    Mas… Quem é Wesley?

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