Crise financeira no surf

Os surfistas da elite do surf profissional já sentiram os efeitos da crise financeira com o rebaixamento da etapa de J-bay, na África do Sul, que deixou de compor o circuito mundial em 2012. Isso porque as marcas patrocinadoras tiveram que deixar de lado o patrocínio de alguns eventos para economizar. No meio do surf esse é um comentário que sempre vem em pauta entre os organizadores dos principais campeonatos de surf do país. O que assusta é quando a notícia chega na grande mídia nacional. Nesta segunda-feira, dia 20, a jornalista Letícia Casado, do jornal Valor Econômico, assinou uma matéria, reproduzida abaixo, cujo título fala por si. Na sequência, uma outra matéria da mesma jornalista mostra o movimento de outras marcas de surf no Brasil que estão atraindo investidores internacionais. Se outros setores da economia mundial querem surfar na boa economia brasileira, porque não surfar também no mercado de surfwear. Aloha!

Billabong e Quicksilver enfrentam fase difícil

As duas gigantes do mundo de moda surfe enfrentam uma fase difícil. A Billabong recebeu uma proposta de compra no começo do ano, recusou e agora tem na mesa uma oferta que vale menos da metade da anterior. A Quiksilver tenta sair do prejuízo que registra desde quando abriu o capital, em 2008.

Em dezembro de 2011, a australiana Billabong anunciou uma reestruturação que incluía o fechamento de 100 a 150 lojas e a demissão de mais de 400 empregados. Em fevereiro de 2012, o fundo de private equity TPG Capital fez uma oferta de 3 dólares australianos por ação, o que equivalia a 841 milhões de dólares australianos (US$ 865 milhões, em câmbio da época). A proposta foi rejeitada pelos acionistas, que alegaram que a marca valia muito mais.

Só que os números apresentados em fevereiro, referentes ao primeiro semestre fiscal, encerrado em 31 de dezembro de 2011, não ajudaram a Billabong. O lucro líquido caiu 71% em relação a um ano antes, para 16 milhões de dólares australianos, e a receita recuou 1,8%, para 847 milhões de dólares australianos. A empresa reduziu suas projeções para 2012.

O valor da empresa no mercado encolheu. Segundo reportagem do “The Wall Street Journal”, em 21 de junho, as ações caíram 34% no trimestre, e a companhia valia, nessa data, 471,9 milhões de dólares australianos. Em julho, o TPG fez uma nova oferta, por menos da metade da anterior: 1,45 dólar australiano por ação.

Em 27 de julho, a Billabong informou o mercado que o TPG deve começar a fazer auditoria nas próximas semanas. A diretoria da Billabong acrescenta que a empresa está aberta à avaliação de outras firmas, e que a proposta do TPG não reflete o poder da marca. A empresa vai divulgar em 27 de agosto os resultados referentes ao ano fiscal 2011/2012.

A americana Quiksilver, no semestre fiscal encerrado em 30 de abril de 2012, teve prejuízo de US$ 27,7 milhões, ante perdas de US$ 99,5 milhões em 2011. A receita alcançou US$ 941 milhões no semestre, 4% a mais que os US$ 904 milhões do ano fiscal 2010/2011. No segundo trimestre fiscal de 2012, a empresa conseguiu reduzir o prejuízo, para US$ 5 milhões, ante perdas de US$ 83 milhões em 2011.

A Rip Curl, concorrente de Billabong e Quiksilver, não tem ações em bolsa e não abre resultados. A empresa faturou 364,5 milhões de dólares australianos em 2011, segundo a consultoria australiana Ibis World. (LC)

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Eixo e Mormaii negociam com fundos de investimento

A intenção do Eixo, detentor das marcas Fatal Surf, Hawaiian Dreams (HD), Tropical Brasil, e licenciado da marca O’Neill, é vender de 20% a 30% do capital. A empresa vem negociando com dois fundos de investimentos, cujos nomes não foram revelados. A Mormaii também confirma que conversa com investidores: “Temos um grupo de investimento fazendo algumas avaliações e prospectando oportunidades”.

“Não estamos à venda. O que ocorre é que inúmeras grandes corporações estão correndo dos mercados europeus e procurando investir nos emergentes. Nós brasileiros somos um dos alvos”, informou a Mormaii, em nota ao Valor. Esse movimento não acontece só no Brasil; é também o caso da segunda maior marca do mundo, a Billabong (ver abaixo).

A sociedade com um fundo daria à Eixo recursos para sustentar sua expansão e, no futuro abrir o capital, diz o diretor de operações Paulo Maierá. “Sem investidor vamos crescer 20% ao ano. Se fecharmos [o negócio], podemos crescer de 40% a 50%.”

A fábrica do grupo tem 7 mil metros quadrados. Em 2011, foram desenhadas 1.500 peças e 5 milhões foram vendidas no país. O grupo não exporta.

Em 2010, os sócios do Grupo Eixo – os irmãos Antonio e Naum Khoury -, compraram a HD. Em maio de 2011, arrebataram a fabricante de pranchas Tropical Brasil, que agora produz também roupas. No fim de 2011, o grupo contratou Maierá e começou a negociar o licenciamento da marca americana O’Neill – uma das grandes do universo premium de vestuário para surfe, atrás das australianas Billabong e Rip Curl e da americana Quicksilver -, cujo contrato com o distribuidor brasileiro estava vencendo. O negócio foi fechado em julho.

Agora, a Eixo reestrutura o portfólio para crescer. “O jovem classe A não quer marca de surfe para usar no dia-a-dia, essa moda passou. Hoje ele usa [a grife americana de roupa casual] Abercrombie & Fitch”, diz Maierá, lembrando que nos anos 90 “dava status” usar marca de surfe para ir ao cinema ou à escola. Segundo ele, 90% das vendas são para simpatizantes do esporte e 10% para praticantes.

A O’Neill é vendida em 87 países e vai brigar com as marcas internacionais pelo cliente das classes A, B e C+, com preços 20% mais baratos, diz Maierá. Cerca de 70% das peças serão fabricadas no Brasil. O restante requer alta tecnologia, como tecidos sem costura, e serão importadas. A Fatal Surf, focada em consumidores das classes C e D e vendida até em supermercados, vai aumentar a distribuição: a meta é ampliar de 4.500 pontos de venda para 10 mil em três anos.

HD e Tropical Brasil continuarão voltadas às classes B e C. As coleções da Tropical Brasil serão “inspiradas” nas marcas Osklen e Reserva e produzidas para um público menos endinheirado. Maierá planeja expandir a linha da Tropical. “Imagine um protetor solar chamado Tropical Brasil?”

A Mormaii, que já vende protetor solar, pretende aumentar a distribuição. A marca vendeu “mais de R$ 300 milhões no Brasil em 2011”, e a meta é crescer 10% em 2012. Concorrem com Mormaii e Eixo as marcas Hang Loose e Fico.

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Sobre João Carlos Godoy

Jornalista, surfista, amante, fanático por surf e pelo mar. Formado no curso de MBA de Gestão no Esporte da Universidade Anhembi Morumbi e assessor de imprensa na área de negócios e esporte. E-mail para contato: jc.surfistapaulistano@gmail.com
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