Surf brasileiro segue na disputa

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John John Florence, campeão do Oi Rio Pro 2016. Foto: WSL/Daniel Smorigo

 

O Oi Rio Pro, quarta etapa do circuito mundial  de surf profissional, que terminou no último dia 19, nas ondas do Postinho, na Barra, Rio de Janeiro, foi uma competição que antes mesmo de começar já gerava barulho. Dias antes da prova ter início, atletas da elite anunciavam que não viriam para o Brasil com medo da água contaminada, do tal do Zika Virús, da violência, bla, bla, bla. Todo ano a mesma coisa. Resumo: no final das contas , com exceção do tio Kelly Slater e de surfistas lesionados, os tais críticos deram as caras, afinal de contas ficar sem preciosos pontos no ranking não é uma decisão  pra qualquer um.

Já parte da torcida verde e amarela, que adora falar mal do seu país, apoiava essas declarações nas redes sociais, e ainda complementavam com críticas o local escolhido para a prova. Estou de acordo que as ondas da Barra não são os melhores exemplos de boas ondas no Brasil, também concordo com os corneteiros de plantão, que picos como Fernando de Noronha ou Saquarema seriam muito melhores para receber a elite mundial. Dias antes do início da prova o comissário do Tour masculino da WSL, Renato Hickel, concedeu uma entrevista muito interessante ao Portal Waves. Entre outras polêmicas, Hickel deixou claro que para o local de prova mudar precisa de um projeto de peso do poder público local, o que hoje infelizmente não existe. Por isso, uma dica aos corneteiros: por que vocês não começam a cornetar agora para mudar algo no futuro? Começar a cornetar há duas semanas antes do evento começar só ajuda a denigrir a imagem do país.

O fato é que o evento aconteceu e, na minha avaliação, mesmo com ondas de formação duvidosas, foi emocionante e trouxe um novo gás para os atletas brasileiros. Apesar da vitória do havaiano John John Florence (vídeo acima), a tempestade brasileira segue ativa.

Vamos analisar as performances verde e amarelas:

– o estreante em 2016 Alex Ribeiro, pra variar, não passou da repescagem. Aliás, Ribeiro está em uma fase bem delicada do circuito, pois cada vez mais o risco de ser cortado da elite mundial se aproxima.

– outros dois surfistas brasileiros não foram longe, amargando também a 25ª colocação da prova. Foram eles: Jadson Andre e Wiggolly Dantas. Dantas inclusive caiu oito posições no ranking. Certamente a etapa do Rio é um resultado que ele vai descartar nesse ano.

– o atual campeão brasileiro de surf, Bino Lopes, também ficou na repescagem.

– Alejo Muniz, Lucas Silveira, Marco Fernandez e Deivid Silva caíram no round 3, ocupando a 13ª posição da disputa. Destaque aqui para Lucas Silveira (vídeo abaixo) que estreou a competição colocando Adriano de Souza na repescagem do round 2, porém eliminado pelo mesmo de Souza no round 3, mostrando que a experiência de um campeão mundial é muito mais forte em momentos decisivos.

– Durante o não eliminatório round 4, os brasileiros Adriano de Souza, Gabriel Medina e Miguel Pupo avançaram direto para as quartas de final. Destaque para Miguel Pupo que há muito tempo não conquistava uma boa posição nas etapas do CT.

– Na repescagem do round 5, os brazukas Caio Ibelli, Italo Ferreira e Filipe Toledo deram adeus à prova. Toledo, que defendia o título da Barra, encerrou a prova na nona posição e reassume a luta pelo título mundial em 14º lugar. Missão impossível? Não para ele. Apesar  disso, achei Filipe Toledo meio apagado durante o evento, normal para quem acaba de voltar de lesão e ainda está se acostumando com o fato de ser pai.

– As quartas de final foram marcadas por ótimas performances de Adriano de Souza e Gabriel Medina que seguiram para as semis, com sede de vitória. Infelizmente Miguel Pupo foi eliminado por um inspirado australiano Jack Freestone, em uma bateria de notas medianas. Com a quinta posição na etapa brasileira, Pupo subiu duas colocações no ranking, mas precisa manter o seu surf em alta. Talento existe.

– As semi finais pararam Adriano de Souza e Gabriel Medina. De Souza, o Mineiro, foi eliminado pelo campeão da prova John John Florence, mas a performance do brasileiro até aqui sem dúvida é o seu melhor resultado em 2016 e o coloca na briga pelo título na sexta posição do ranking mundial. Mineiro fez uma disputa honesta com bons scores. Destaque para o seu 9,17 conquistado no round 4 (vídeo abaixo).

– Gabriel Medina, apesar da derrota nas semi finais, foi um show de surf a parte durante toda a prova. Foram vários scores dignos de um campeão mundial, mas duas notas 10 conquistadas ao longo da prova deram o tom que Medina está acostumado a tratar seus adversários. A primeira nota 10 foi no round 2, com um aéreo flip perfeito (vídeo abaixo).

– o segundo 10 do campeão mundial de 2014 aconteceu no round 4 em uma direita de backside escovada com um aéreo de mestre e uma bela batida na junção (vídeo abaixo).

– Na semi final contra Jack Freestone, Medina ainda emplacou um 9,07, porém não encontrou uma onda boa para trocar um 5,60. Já Freestone trabalhou uma combinação de notas (7,83 + 8,67) para totalizar 16,50, contra 14,67 do brasileiro, e garantir uma vaga na final. Com o resultado, Gabriel Medina subiu 9 posições no ranking mundial e ocupa o 9º lugar. 

FEMININO

Entre as melhores surfistas do mundo, a campeã da prova foi a australiana Tyler Wright, que inclusive ocupa a primeira posição do ranking  mundial (vídeo abaixo).

Sobre João Carlos Godoy

Jornalista, surfista, amante, fanático por surf e pelo mar. Formado no curso de MBA de Gestão no Esporte da Universidade Anhembi Morumbi e assessor de imprensa na área de negócios e esporte. E-mail para contato: jc.surfistapaulistano@gmail.com
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