A polêmica bateria em Trestles!!!

gabriel-medina

Gabriel Medina. Foto: WSL/Sean Rowland

Como sempre, as vezes por opção (nesse caso foi), sou um dos últimos, se não o último, comentarista de surf a escrever sobre uma etapa do mais importante circuito mundial de surf profissional: o Samsung Galaxy Championship Tour, organizado pela Liga Mundial de Surf (WSL, na sigla em inglês). Nesse caso a etapa em questão foi a Hurley Pro at Trestles, prova de número 8 da temporada 2016.

Prefiro ser o último, principalmente quando a disputa é composta por uma questão super polêmica, como foi essa de Trestles, por conta da bateria entre o brasileiro Gabriel Medina contra o norte-americano Tanner Gudauskas. Eu prefiro acompanhar todas as opiniões publicadas e agir fora do calor da emoção.

Sem dúvida, a bateria de número sete do round 3 tinha tudo para ser APENAS uma bateria acirrada, como foi (assista resumo do combate abaixo). Digo APENAS porque, além de acirrada, ela foi marcada, infelizmente, por uma atuação questionável dos juízes da prova. Questionável porque o surf é um esporte cujo julgamento é subjetivo.

O padastro de Gabriel Medina, Charles Medina (vídeo abaixo), comparou o jovem Gabriel ao corredor Usain Bolt e ao nadador Michael  Phelps. Em termos de performance sem dúvida Medina é tão relevante quanto à Bolt e Phelps, cada um na sua praia. Do ponto de vista de estar triste com o resultado da bateria, Charles tem toda razão. A única diferença nesse caso é que a natação e o atletismo são modalidades onde quem vence é quem chega em primeiro lugar e ponto, resultado inquestionável. Já no surf vence quem recebe o maior somatório de notas, notas dadas por juízes contratados, acredito eu que são especialistas no tema. No caso dessa polêmica com Gabriel esses tais juízes ficaram como vilões. Eles sempre oscilarão entre vilões e mocinhos, dependendo do resultado. Em Trestles, concordo que eles foram “vilões” do ponto de vista de que a avaliação foi equivocada. Só não concordo com o movimento levantado de que existe um plano contra o Brasil. Daí acho exagero sim e reforço minha opinião de que o torcedor tem que tomar cuidado para não imperar o complexo de vira-lata.

Gabriel foi prejudicado por uma avaliação confusa e equivocada? Sim, avalio que sim!!! Gabriel foi vítima de uma estratégia maquiavélica para o surf brasileiro ser prejudicado no tour? Não, não acredito nisso.

Não tenho dúvida de que Gabriel Medina tem talento e personalidade o suficiente para não sustentar esse tipo de argumento. Ele não precisa disso!!!

De todos os comentários e protestos publicados por jornalistas e surfistas do Brasil e do mundo, deixo aqui registrada minha admiração e total apoio ao comentário postado pelo multi-campeão Kelly Slater (clique aqui para ver). Na opinião de Slater “as pessoas aproveitam algumas situações para tumultuar a respeito de coisas que não são muito importantes para o rumo de suas vidas. A importância que as pessoas deram para essa bateria é totalmente desnecessária. Foi uma bateria acirrada, que poderia ter ido para qualquer um dos lados…” 

O 11 vezes campeão ainda defende uma solução para o futuro. “Os juízes não deveriam saber a situação atual de cada bateria e pontuar de acordo com a onda…”. Quem sabe um dia?

Em meio à polêmicas sempre surgem opiniões e avaliações inteligentes, que ajudam a mostrar qual onda foi realmente melhor. O vídeo abaixo mostra, de forma clara, que Gabriel foi melhor, o que confirma a teoria de equívoco, mas não alimenta a teoria de conspiração contra o Brasil, kkkkk.

Como disse Slater, sempre tem os aproveitadores que gostam de surfar na polêmica alheia para exagerar, ofender e defender atitudes impensadas. Chegaram ao absurdo de divulgar nas redes sociais um comunicado falso em nome de Gabriel Medina informando que o ele não disputaria mais o circuito esse ano. Felizmente e estrategicamente a equipe do atleta desmentiu rapidamente a confusão com um comunicado oficial publicado no Portal Waves. Esse tipo de divulgação falsa é como queimar ônibus em formato de protesto. Você está prejudicando toda uma comunidade e prejudicando ao próximo. Pode até prejudicar o dono da empresa de ônibus, mas o ônus maior não será para ele, mas sim para pessoas comuns que usam os ônibus todos os dias e para os motoristas dos ônibus, que vivem da ferramenta. Nesse caso Gabriel Medina é o motorista do ônibus.

Por que não usar essa energia de protesto para fazer algo inteligente, para propor mudanças, para fazer movimentos benéficos para o esporte?

Outra besteira publicada durante o calor da emoção foram comentários defendendo um boicote à WSL. Confesso que, de cabeça quente, até pensei na possibilidade de aderir ao movimento. Mas pensando de cabeça fria isso seria um tiro no pé de cada um dos brasileiros que hoje vivem do tour e outros tantos brasileiros que tentam viver do surf. Eu jamais faria isso com nossos heróis brazukas. Sou torcedor e fã de cada um desses jovens atletas que hoje lutam por seu lugar ao sol no CT, no QS ou em outro circuito de surf pelo mundo. Contem sempre com meu apoio e críticas construtivas.

Utilizarei, sempre, esse espaço para defender de forma justa os surfistas brasileiros. Se for para polemizar, protestas ou criticar, farei isso de forma construtiva.

De novo, vamos usar nossa energia de torcedor para gerar movimentos inteligentes em prol do esporte que amamos. Não vamos agir como os idiotas das torcidas organizadas de futebol, que usam suas influências para assinar ações de protesto totalmente ignorantes.

Vamos torcer em paz, na vibe, aloha!!!

Sobre João Carlos Godoy

Jornalista, surfista, amante, fanático por surf e pelo mar. Formado no curso de MBA de Gestão no Esporte da Universidade Anhembi Morumbi e assessor de imprensa na área de negócios e esporte. E-mail para contato: jc.surfistapaulistano@gmail.com
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Uma resposta para A polêmica bateria em Trestles!!!

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