Evolução do surf na Boracéia (SP)

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Nicolas Frederik Bavinck Neto

A impressão de que 2016 foi um ano ruim parece ser uma opinião unânime, seja na economia, no esporte e até mesmo no surf, certo? Errado! Para a turma de jovens surfistas locais da Associação de Surf da Boracéia (ASBORA), praia que abrange os litorais de Bertioga e São Sebastião, em São Paulo, 2016 foi mais um ano de conquistas importantes e 2017 promete ainda mais. Por enquanto nomes como Nicolas Frederik Bavinck Neto, Mayara Fagundes, Gabriel do Rosário, Guilherme Bezerra, Vagner Sena, Adilson Santos, João Bezerra e Marcos Vinicius “Pitoco” são desconhecidos pelas praias do Brasil, mas se a ASBORA seguir com seu trabalho sério de apoio e incentivo aos atletas locais, dessa história de surf local pode surgir mais um campeão mundial. Por que não? Já vimos esse filme duas vezes no Brasil. E são filmes recentes. Detalhe: a associação, sob a presidência do surfista Oscar Gonçalves, proprietário da surf shop Raízes Surf, localizada na própria Boracéia, tem apenas pouco menos de dois anos de história.

À frente da diretoria técnica da entidade está o multi-atleta do mar Nicolas Frederik Bavinck Neto, o “Neto do Cantão”. O jovem surfista, de  22 anos, leva esse apelido porque reside em uma casa pé na areia em um “secret point”, não tão “secret” assim, mas com um canto mágico abençoado com altas ondas quando o assunto é uma boa ondulação, principalmente para galera do longboard e do Stand Up Wave.

E é com o remo nas mãos que Neto descobriu sua aptidão como atleta profissional. Apesar de ser um exímio surfista de pranchinha, Neto também chama a atenção no SUP Wave e mantém seu foco: ser campeão brasileiro de SUP Race e dar start em competições internacionais na modalidade.

“Dentro da ASBORA a minha responsabilidade é acompanhar nossos atletas nos campeonatos. Estou direto com eles no dia-a-dia, dentro e fora da água. Dou dicas. Tento passar táticas nas competições. Falo com eles sobre estratégia nas baterias, posicionamento, etc. Os atletas estão evoluindo a cada dia. Começamos a fazer com eles treinamento funcional e alguns deles evoluíram muito. Temos hoje dez atletas nas categorias iniciante, mirim, júnior, feminino e open. Ano passado foi um ano muito bom porque conquistamos ótimos resultados nos campeonatos. O Gabriel do Rosário foi campeão do ranking na categoria iniciante no Bertioguense, ganhou até passagem para o Peru. O João Bezerra foi campeão Mirim. O Jeferson Machado foi campeão do ranking na categoria Open. O Vagner Sena é um dos nossos atletas mais bem colocados em competições. E a molecada está vindo, treinando forte, para um dia chegar lá”, comenta Neto.

Como atleta na categoria SUP Wave, Neto foi campeão da segunda etapa do Circuito Bertioga de Surf 2016. “Em 2017 vou correr o SUP Wave, mas vai ser mais por hobby, o meu foco mesmo está na modalidade Race. Esse ano quero correr todas as etapas brasileiras da modalidade para em 2018 buscar o título brasileiro”, planeja.

Em sua primeira participação em uma competição profissional da modalidade, Neto ficou com a 12ª colocação, entre 33 participantes. O evento foi o Pantanal Extremo, última etapa do Circuito Brasileiro de SUP Race 2016, organizado pela Confederação Brasileira de SUP.

A dedicação do atleta ao Stand Up Paddle nasceu a partir da canoa havaiana. “Aprendi a surfar com pranchinha ainda criança e quando eu tinha uns nove anos eu participava de um time de canoa havaiana que acabou se desfazendo. Aí quando veio a moda do Stand Up Paddle e eu pensei: ‘pô, dá para remar e surfar ao mesmo tempo? Demorou’. Daí eu fui gostando desse esporte e não larguei mais”, relembra.

Para se preparar para os campeonatos Neto mantém um ritmo de treino puxado e conta com apoio de Carol Rezende e Matheus Caetano, da Exodus Studio Pilates; Marlon e Meire, da Academia Shark; de Jerailton Júnior, da JR Suplementos; e do treinador Paulo dos Reis, de Ilhabela, comandante do Paulão Race Team.

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Mayara Fagundes

Entre as meninas do surf local, a ASBORA conta com o talento e simpatia da jovem Mayara Fagundes. Com apenas 18 anos, Mayara hoje esbanja surf no pé, principalmente nas ondas da Praia da Juréia, onde reside atualmente. Apesar de declarar abertamente que não pretende seguir carreira profissional no surf, Mayara gosta de competir. “Não pretendo ser profissional. Eu gosto de participar dos campeonatos por experiência pessoal. Em uma competição tem muita menina que surfa bem e competindo com elas eu acabo evoluindo e aprendendo. Além disso, não tem preço disputar um campeonato fazendo aquilo que você ama”, afirma Mayara.

A bordo de sua 5’2, do shaper Adriano Nunes, e com apoio da surf shop Raízes Surf, Mayara corre alguns campeonatos e sempre que possível está na água em picos como Juréia, Engenho, Maresias ou Baleia. A jovem também sonha em conhecer Indonésia, Costa Rica e Hawaii.

Dos campeonatos que disputou em dois anos e meio de competições, de um total de apenas três anos de surf, Mayara venceu a terceira etapa do Circuito Bertioga de Surf 2016 e somou duas terceiras posições no Circuito Medina/ASM de Surf em 2016. Um ano antes, ficou em segundo lugar na segunda etapa do Circuito Sebastianense de Surf.

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Quando questionada qual o motivo dela não querer ser profissional, responde: “acho que toda surfista sonha em ser campeã mundial, mas a batalha para chegar lá não é fácil. Comecei a surfar um pouco tarde. Eu evolui mais rápido do que as pessoas esperavam, mas para entrar no circuito mundial tem que se dedicar muito e eu não tenho como colocar o surf como prioridade, pois sem patrocínio é muito complicado. Os campeonatos femininos no Brasil não são valorizados como os masculinos. Porém mesmo assim eu acredito no surf feminino e acredito no potencial das meninas”.

Se alguma menina quer começar a surfar e precisa de um incentivo de outra surfista, Mayara também faz coro: “Para meninas que tem vontade  de aprender a surfar, eu super aconselho, pois não tem sensação melhor que surfar. Hoje em dia tem pouca menina na água. Quanto mais nova uma menina aprende a surfar, melhor. Mas nunca é tarde para aprender algo que se tem vontade, pois todos somos capazes quando queremos”, finaliza.

4 comentários em “Evolução do surf na Boracéia (SP)

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  1. Que bom perceber que outros olhos estão enxergando nosso trabalho para com o esporte,além da da matéria ser muito bem escrita e com nomes muito bem frisados,temos tbm uma equipe de apoiadores e organizadores muito competente e esforçada. Tais como o Flávio,Edson,Lucas,Danilo e entre outros colaboradores que fazem dessa realmente uma associação. Parabens a todos os envolvidos nesse projeto e ao autor da Matéria pelo espaço concedido.
    Vamos com tudo para 2017.
    Asbora surf levado a sério!

  2. Ótima reportagem João Carlos Godoy, conheci a Mayara ainda como vendedora na loja do grande Oscar, o neto eu não o conheço pessoalmente apenas pelas redes sociais e quando estou em Bora Bora de dias de grandes ondulações eu o vejo no mar. Mas é isso aí que a nossa tempestade não pare !! A Mayara tem um grande futuro como freesurfer, pois é linda simpática e assim que um patrocinador entender que poderá usar seu surfe é sua beleza em prol de buscas de boas ondas com belas imagens..

    Boa sorte aos surfistas !!!

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